Nós somos loucos por amor de Cristo…

"Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis." - 1 Co 4:10

Maykel Nazaré - Ministério Ômega

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“Por falta de utopia…

… a juventude se corrompe.”

Provérbios 28:19, em seu primeiro trecho diz: “Por falta de profecia, o povo se corrompe… (ou perece, depende da tradução)“. Parafraseando este texto bíblico, o professor e pastor Ricardo Bitun, ministrou sua oficina no Usina 21.

Sobre o evento, não tenho palavras pra definir. É algo realmente incrível. Pessoas especias, idéias transformadoras, boas conversas com amigos e por aí vai.

Depois posto aqui sobre o Usina 21, mas agora quero me ater na oficina que participei.

Até agora as palavras e conceitos ditos naquela oficina reverberam em minha mente e coração.

Por falta de utopia o jovem se corrompe.

Nós jovens vivemos em uma sociedade capitalista, mas até que ponto isso nos influencia?

Pra muitos jovens de hoje, a carreira – no mercado de trabalho – tem se tornado o maior sonho, uma grande conquista.
Estudar, se formar, construir uma grande carreira, comprar carro, um apartamento, se casar, ter seus filhos, dar uma boa condição para que seus filhos estudem, se formem, construam uma grande carreira, comprem o carro deles, o apartamento, se casem, tenham seus netos e deem uma boa condição para que eles estudem e assim formamos um ciclo vicioso capitalista.

Infelizmente esse tem sido o maior sonho da nossa juventude hoje e isso tem adentrado as portas de nossas comunidades cristãs.

As carreiras tem se tornado um fim em si mesmas.

Qual é o motivo de sermos quem somos? O que é que tem nos movido? Qual tem sido o combustível dos nossos corações nesses dias?

Durante a oficina o professor deu um exemplo que foi além do que eu imaginava.

Nos questionamos sobre quem consideramos o pior bandido do mundo e chegamos a resposta de Hitler. Ele (Ricardo Bitun) aprovou a resposta e disse que no exemplo trataríamos de um bandido um pouco pior, mas que cometia furtos e assaltos. Algumas questões foram levantadas como: O bandido levaria nosso carro? Levaria nossas jóias? Nosso Rolex? Nossa televisão? Nossos livros literários? Nosso video-game? Computador? Bíblia? Blue-Ray? Entre outros. E fomos apresentando as respostas que compreendiamos.

Logo depois surgiu a seguinte questão: “Se esse bandido adentrasse nossas casas e levasse somente as nossas Bíblias Sagradas – somente aquela com mais de 10 anos, com várias anotações, rabiscos, manchas de lágrimas – ficaríamos chateados?”

Será que nós homens e mulheres santos temos sonhado com as mesmas coisas que àqueles que chamamos por ímpios?

Se a resposta da pergunta acima for ‘sim’, tem alguma coisa muito errada acontecendo conosco – o povo de Deus.

Temos agido como povo de Deus ou temos agido como povo de nós mesmos?

Como o próprio pastor se colocou, não que querer isso sea errado, mas isso não pode virar um fim em si mesmo.

Será que ninguém mais quer mudar o mundo? Será que ninguém mais quer mudar uma vida? Será que alguém quer trabalhar por realidades melhores – custe o preço que isso custar?

Repito a pergunta: O que tem nos movido?

E durante a oficina, veio à minha cabeça as questões que temos trabalhado com nossa juventude: O que, por que e para quem fazer? O que, por que e para quem estar? O que, por que e para quem ser?

Qual a nossa utopia?

Durante a oficina, fizemos um exercício para escrever nossa utopia. O silêncio tomou conta da sala. As vozes cessaram, mas deu para sentir algo diferente na sala (as utopias trazendo muitas alegrias) e algo dentro do meu coração.

A minha oração é essa: Que eu possa reconhecer qual utopia carregar comigo, que eu nunca possa perdê-la de vista e que os outros jovens também a encontrem, pois é bem melhor se caminharmos juntos.

#Deusestá

—-

p.s.: Ainda não sei se o post está pronto e se está compreensível, então vou pedir a opinião de vocês. Por favor ajudem-me nos comentários.

p.s. II: Caso você, leitor, queira compartilhar sua utopia, o faça na área de comentários.

p.s. III: O meu blog ainda está em reforma e fazia grande tempo que não escrevia, então me perdoem pelos erros.

Sobre a fé…

Post publicado no meu Tumblr há um mês.

Bom, esta é a segunda vez que tento escrever este post. Além do tempo que não escrevo ter me travado, meu computador também travou da primeira vez, mas vamos lá.

Como a maioria de vocês deve saber, nos meus finais de semana passo um longo tempo dentro de ônibus. São quase 15h de viagem, incluindo ida e volta e o tempo que espero na rodoviária. Muitos de vocês já leram ou ouviram algumas de minhas histórias na rodoviária, lugar onde tenho aprendido muito. Rodoviária é um lugar de encontros e desencontros, além de viagens territoriais, as viagens pra dentro. Lugar de branco, preto, rico, pobre, viagens por motivos alegres, por motivos tristes. Mas acredito que nunca ouviram ou leram uma história de “dentro do ônibus”. Bom, vamos lá.

Estava eu dentro do ônibus (Ourinhos – CP), sentado, quando ao meu lado se assente um jovem com problemas mentais (que fique claro que não tenho problemas com isso; inclusive tenho um caso na minha família, com um primo). Logo meu coração se inquieta. Como eram 06:30h e eu estava na jornada desde 01:40h, logo tento aquietá-lo, afinal era o momento pra uma tentativa de descanço. Mas, como ao fechar os olhos físicos os olhos do meu coração se abriram, logo se desenvolveu um diálogo imaginário, entre eu e aquele moço. Vou tentar descrevê-lo de forma resumida abaixo, de forma que possamos prosseguir com o post.

- “Olá! Tudo bem? Existe algo que eu possa fazer por você?” – eu perguntei

- “Oi! Está sim tudo bem. Você é cristão, não é mesmo?”

- “Sim, sim. Como sabe?”

- “Deu pra notar desde o momento que cheguei. Sei que se você orar para Deus, Ele pode me curar, não é verdade?”

- “Sim, com certeza.”

- “Será que teria como orar por mim? As pessoas me desprezam por ser como sou, me tratam de forma indiferente.”

- “Mas orar por você, aqui no ônibus lotado? E se não der certo?”

- “Você me disse que acredita, então vai dar certo, não?”

- “Sim, eu acredito, tenho fé, mas se…”

Acho que dessa forma minha conversa imaginária fica bem definida e podemos prosseguir.

Após essa conversa imaginária, meus olhos se abrem. Não só os olhos físicos. Faço uma breve oração silenciosa por aquele homem e também por mim, pedindo pela minha fé.

De que adiantava essa fé? O que essa fé edifica na minha vida? O que essa fé, sem ação, colabora com a vida dos outros?

Logo passei a pensar e refletir sobre a fé e me veio a idéia de escrever sobre isso.

O Mestre ao curar/salvar as pessoas, nunca dizia que Ele mesmo havia salvado/curado (Jesus provavelmente teria utilizado a palavra grega sozo – descrevendo a cura/salvação nestes casos) a pessoa, mas dizia: “… a tua fé te salvou.” (Mateus 9.22 / Marcos 5.34 / 10.52 / Lucas 7.50 / 8.48 / 17.19 / 18.42). Imagino eu que a atitude das pessoas a chegarem aos pés d’Ele seria a fé que as tenham salvado.

Hebreus 11 nos descreve que fé é a certeza do que não vemos. Isso é fato incontestável. Mas como fé é a certeza do que não vemos? Só porque acreditamos? Já não penso mais assim. Penso que fé é a certeza do que não vemos porque a construímos. A partir do momento que temos fé, temos o combustível que necessitamos para realizar algo. Por isso fé é a certeza do que não podemos ver, pois a fé não só nos faz acreditar, como nos faz realizar.

E enquanto refletia para escrever este texto me veio um último verso para o momento, que creio que não necessite de comentários pessoais. “Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil?” (Tiago 2.20)

Fé não é uma filosofia.  Fé não é simplesmente acreditar. Fé é realizar. Fé é movimento.

Mesmo que esperando em Deus, fé é movimento.

E essa é a minha oração.

Segunda, na rodoviária…

Fala galera,

Estou tentando entrar na onda de posts semanais e até mesmo mais do que um por semana. Espero que consiga e creio que vá.

Essa semana venho pra contar algo interessante que me chamou bastante a atenção.

Como alguns de vocês devem saber, moro em Avaré/SP e moro em Cornélio Procópio/PR (por causa da faculdade, faço Engenharia Elétrica na UTFPR). Passo a semana em CP (Cornélio Procópio), onde moro sozinho e estudo. Geralmente os finais de semana na minha casa “de verdade”, aonde estão meus familiares, minha galera e minha comunidade. Já é um ano e meio assim e será assim, no mínimo, por mais 3 anos e meio. Como ainda não tenho carro (Deus me ouça, haha…), ando de ônibus todos os finais de semana, perco uma noite toda por semana e por aí vai. Levo na sexta algo perto de 5h pra chegar em Avaré. Já na segunda levo aproximadamente 7h. A viagem, se fosse feita de carro, leva no máximo 2:45h.

Acho que alguns também se lembram do post da semana passada (caso não tenha lido, por favor, tente fazê-lo). A rodoviária estava ainda mais insuportável (tenho tanto de rodoviária pra contar que estou pensando em abrir uma categoria no blog com esse nome, haha…).

Muitas experiências ruins naquela madrugada até a chegada de um rapazinho com um violão na mão. Chegou todo tímido (não se sentou ao meu lado, mas perto) com seu violão, o deixou em cima de sua bolsa de viagem por um determinado instante. De repente tirou um papel do seu bolso deu uma olhada, olhou para os lados, pegou seu violão e o colocou deitado sobre o colo. O papel ele colocou no lugar do violão, em cima da bolsa, tentando desamassá-lo como quem quisesse ver algo e pôs o violão em punho (logo concluí que o papel era uma cifra).

Começou a tocar seu violão. O cara toca mal demais e o violão estava super, mas super desafinado (os acordes maiores soavam menores e por aí vai.). Ainda assim o som do cara me agradou (afinal eram quase 6h e eu não tinha dormido nada por conta da movimentação na rodoviária) e deu todo um ambiente diferente na rodoviária (um ambiente de som aterrorizador que transformava o ambiente em leve e alegre, haha…).  Ele começou a tocar baixinho, depois passou a cantarolar, foi subindo gradativamente o volume do violão e da voz até que depois de uns 10 minutos de violão e voz alta eu consegui entender a canção que o cara tocava.

“O meu Deus nunca falhará…”

Estava tão ruim o som do cara. Mas ao mesmo tempo tão legal (não, não é porque era música gospel. também não entendi como gostei daquele som). Quando ele acabou de tocar, se colocou o violão na mesma posição e a cifra no bolso. Queria ir falar com ele, mas demorei a tomar coragem.

Quando a  coragem chegou fui conversar com o desconhecido. Fui tão mal educado que nem me lembrei de perguntar o nome dele. A primeira pergunta que fiz também foi a mais óbvia, se o cara era crente. Claro que sim. Um jovem da Assembléia de Deus, que está aprendendo a tocar violão. No trabalho dele, à beira da estrada (trabalha em uma empresa de pavimentação asfáltica. aqueles laranjinhas da estrada, sabe?), os colegas de serviço perguntam se ele toca moda de viola e ele responde que não porque é crente (nesse momento pensei em lhe falar algo, do tipo: “mas não tem nada a ver”, mas achei muito mais interessante me calar e ouvir um ‘cadinho’ de sua história.

Ele me ofereceu seu violão, para que eu tocasse, ao saber que eu tocava há um certo tempo. Recusei, pois meu ônibus já havia chegado à rodoviária. Queria pelo menos ter afinado o violão dele, mas não daria tempo mesmo (também imaginei que alguma corda poderia arrebentar por conta do frio que fazia no momento – pra quem não entende de música ou física [coeficiente de dilatação], as cordas estouram com maior facilidade no frio.)

Pude perceber que o semblante dele que antes era de tristeza, ao término da conversa foi de felicidade. Falei pouco sobre mim, estava interessado em ouvir.

O parabenizei pela coragem de tocar o que tocava, numa rodoviária aonde não conhecia nada nem ninguém. Logo ele fez uma expressão de quem não entendeu os parabéns, pois essa deveria ser uma situação normal, afinal ele é crente; mas depois ele entendeu (e eu também).

Parece uma experiência boba e realmente foi, mas foi um excelente início de semana para mim.

Foi rápido, mas eu também não poderia deixar de zoar o garoto. Lembro-me que na despedida lhe disse: “Deus o abençoe e o violão está desafinado.” e dei aquela risada do tipo “desculpas, mas não pude me conter”.

Tiro algumas lições desse encontro:

- às vezes violão desafinado consegue encher (de uma forma misteriosa) nossos ouvidos e todo um lugar

- às vezes queremos tocar alto, mas o violão está desafinado, não sabemos tocar e nem cantar direito

- atitudes na rodoviária devem ser como em qualquer lugar.

As três lições tem aplicações em nosso cotidiano, isso é fato. Espero que tenham entendido as metáforas nas duas primeiras, haha.

Acho que por hoje é só.

Vou tentar voltar ainda essa semana aqui.

Ósculos e Amplexos.

Paz e Bem.

“O evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens, em todos os lugares e a todo o tempo” – Lausanne (modificado).

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