Segunda, na rodoviária…
Fala galera,
Estou tentando entrar na onda de posts semanais e até mesmo mais do que um por semana. Espero que consiga e creio que vá.
Essa semana venho pra contar algo interessante que me chamou bastante a atenção.
Como alguns de vocês devem saber, moro em Avaré/SP e moro em Cornélio Procópio/PR (por causa da faculdade, faço Engenharia Elétrica na UTFPR). Passo a semana em CP (Cornélio Procópio), onde moro sozinho e estudo. Geralmente os finais de semana na minha casa “de verdade”, aonde estão meus familiares, minha galera e minha comunidade. Já é um ano e meio assim e será assim, no mínimo, por mais 3 anos e meio. Como ainda não tenho carro (Deus me ouça, haha…), ando de ônibus todos os finais de semana, perco uma noite toda por semana e por aí vai. Levo na sexta algo perto de 5h pra chegar em Avaré. Já na segunda levo aproximadamente 7h. A viagem, se fosse feita de carro, leva no máximo 2:45h.
Acho que alguns também se lembram do post da semana passada (caso não tenha lido, por favor, tente fazê-lo). A rodoviária estava ainda mais insuportável (tenho tanto de rodoviária pra contar que estou pensando em abrir uma categoria no blog com esse nome, haha…).
Muitas experiências ruins naquela madrugada até a chegada de um rapazinho com um violão na mão. Chegou todo tímido (não se sentou ao meu lado, mas perto) com seu violão, o deixou em cima de sua bolsa de viagem por um determinado instante. De repente tirou um papel do seu bolso deu uma olhada, olhou para os lados, pegou seu violão e o colocou deitado sobre o colo. O papel ele colocou no lugar do violão, em cima da bolsa, tentando desamassá-lo como quem quisesse ver algo e pôs o violão em punho (logo concluí que o papel era uma cifra).
Começou a tocar seu violão. O cara toca mal demais e o violão estava super, mas super desafinado (os acordes maiores soavam menores e por aí vai.). Ainda assim o som do cara me agradou (afinal eram quase 6h e eu não tinha dormido nada por conta da movimentação na rodoviária) e deu todo um ambiente diferente na rodoviária (um ambiente de som aterrorizador que transformava o ambiente em leve e alegre, haha…). Ele começou a tocar baixinho, depois passou a cantarolar, foi subindo gradativamente o volume do violão e da voz até que depois de uns 10 minutos de violão e voz alta eu consegui entender a canção que o cara tocava.
“O meu Deus nunca falhará…”
Estava tão ruim o som do cara. Mas ao mesmo tempo tão legal (não, não é porque era música gospel. também não entendi como gostei daquele som). Quando ele acabou de tocar, se colocou o violão na mesma posição e a cifra no bolso. Queria ir falar com ele, mas demorei a tomar coragem.
Quando a coragem chegou fui conversar com o desconhecido. Fui tão mal educado que nem me lembrei de perguntar o nome dele. A primeira pergunta que fiz também foi a mais óbvia, se o cara era crente. Claro que sim. Um jovem da Assembléia de Deus, que está aprendendo a tocar violão. No trabalho dele, à beira da estrada (trabalha em uma empresa de pavimentação asfáltica. aqueles laranjinhas da estrada, sabe?), os colegas de serviço perguntam se ele toca moda de viola e ele responde que não porque é crente (nesse momento pensei em lhe falar algo, do tipo: “mas não tem nada a ver”, mas achei muito mais interessante me calar e ouvir um ‘cadinho’ de sua história.
Ele me ofereceu seu violão, para que eu tocasse, ao saber que eu tocava há um certo tempo. Recusei, pois meu ônibus já havia chegado à rodoviária. Queria pelo menos ter afinado o violão dele, mas não daria tempo mesmo (também imaginei que alguma corda poderia arrebentar por conta do frio que fazia no momento – pra quem não entende de música ou física [coeficiente de dilatação], as cordas estouram com maior facilidade no frio.)
Pude perceber que o semblante dele que antes era de tristeza, ao término da conversa foi de felicidade. Falei pouco sobre mim, estava interessado em ouvir.
O parabenizei pela coragem de tocar o que tocava, numa rodoviária aonde não conhecia nada nem ninguém. Logo ele fez uma expressão de quem não entendeu os parabéns, pois essa deveria ser uma situação normal, afinal ele é crente; mas depois ele entendeu (e eu também).
Parece uma experiência boba e realmente foi, mas foi um excelente início de semana para mim.
Foi rápido, mas eu também não poderia deixar de zoar o garoto. Lembro-me que na despedida lhe disse: “Deus o abençoe e o violão está desafinado.” e dei aquela risada do tipo “desculpas, mas não pude me conter”.
Tiro algumas lições desse encontro:
- às vezes violão desafinado consegue encher (de uma forma misteriosa) nossos ouvidos e todo um lugar
- às vezes queremos tocar alto, mas o violão está desafinado, não sabemos tocar e nem cantar direito
- atitudes na rodoviária devem ser como em qualquer lugar.
As três lições tem aplicações em nosso cotidiano, isso é fato. Espero que tenham entendido as metáforas nas duas primeiras, haha.
Acho que por hoje é só.
Vou tentar voltar ainda essa semana aqui.
Ósculos e Amplexos.
Paz e Bem.
“O evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens, em todos os lugares e a todo o tempo” – Lausanne (modificado).





