Sobre a fé…
Post publicado no meu Tumblr há um mês.
Bom, esta é a segunda vez que tento escrever este post. Além do tempo que não escrevo ter me travado, meu computador também travou da primeira vez, mas vamos lá.
Como a maioria de vocês deve saber, nos meus finais de semana passo um longo tempo dentro de ônibus. São quase 15h de viagem, incluindo ida e volta e o tempo que espero na rodoviária. Muitos de vocês já leram ou ouviram algumas de minhas histórias na rodoviária, lugar onde tenho aprendido muito. Rodoviária é um lugar de encontros e desencontros, além de viagens territoriais, as viagens pra dentro. Lugar de branco, preto, rico, pobre, viagens por motivos alegres, por motivos tristes. Mas acredito que nunca ouviram ou leram uma história de “dentro do ônibus”. Bom, vamos lá.
Estava eu dentro do ônibus (Ourinhos – CP), sentado, quando ao meu lado se assente um jovem com problemas mentais (que fique claro que não tenho problemas com isso; inclusive tenho um caso na minha família, com um primo). Logo meu coração se inquieta. Como eram 06:30h e eu estava na jornada desde 01:40h, logo tento aquietá-lo, afinal era o momento pra uma tentativa de descanço. Mas, como ao fechar os olhos físicos os olhos do meu coração se abriram, logo se desenvolveu um diálogo imaginário, entre eu e aquele moço. Vou tentar descrevê-lo de forma resumida abaixo, de forma que possamos prosseguir com o post.
- “Olá! Tudo bem? Existe algo que eu possa fazer por você?” – eu perguntei
- “Oi! Está sim tudo bem. Você é cristão, não é mesmo?”
- “Sim, sim. Como sabe?”
- “Deu pra notar desde o momento que cheguei. Sei que se você orar para Deus, Ele pode me curar, não é verdade?”
- “Sim, com certeza.”
- “Será que teria como orar por mim? As pessoas me desprezam por ser como sou, me tratam de forma indiferente.”
- “Mas orar por você, aqui no ônibus lotado? E se não der certo?”
- “Você me disse que acredita, então vai dar certo, não?”
- “Sim, eu acredito, tenho fé, mas se…”
Acho que dessa forma minha conversa imaginária fica bem definida e podemos prosseguir.
Após essa conversa imaginária, meus olhos se abrem. Não só os olhos físicos. Faço uma breve oração silenciosa por aquele homem e também por mim, pedindo pela minha fé.
De que adiantava essa fé? O que essa fé edifica na minha vida? O que essa fé, sem ação, colabora com a vida dos outros?
Logo passei a pensar e refletir sobre a fé e me veio a idéia de escrever sobre isso.
O Mestre ao curar/salvar as pessoas, nunca dizia que Ele mesmo havia salvado/curado (Jesus provavelmente teria utilizado a palavra grega sozo – descrevendo a cura/salvação nestes casos) a pessoa, mas dizia: “… a tua fé te salvou.” (Mateus 9.22 / Marcos 5.34 / 10.52 / Lucas 7.50 / 8.48 / 17.19 / 18.42). Imagino eu que a atitude das pessoas a chegarem aos pés d’Ele seria a fé que as tenham salvado.
Hebreus 11 nos descreve que fé é a certeza do que não vemos. Isso é fato incontestável. Mas como fé é a certeza do que não vemos? Só porque acreditamos? Já não penso mais assim. Penso que fé é a certeza do que não vemos porque a construímos. A partir do momento que temos fé, temos o combustível que necessitamos para realizar algo. Por isso fé é a certeza do que não podemos ver, pois a fé não só nos faz acreditar, como nos faz realizar.
E enquanto refletia para escrever este texto me veio um último verso para o momento, que creio que não necessite de comentários pessoais. “Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil?” (Tiago 2.20)
Fé não é uma filosofia. Fé não é simplesmente acreditar. Fé é realizar. Fé é movimento.
Mesmo que esperando em Deus, fé é movimento.
E essa é a minha oração.





